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Uma sede logistica para o interland da Bahia Tribuna da Bahia, 13 de maio de 2003

aaaaSob este titulo tomamos a liberdade de desafiar nossos alunos do sexto semestre de Adm. Municipal tendo como base um texto publicado pelo professor Armando avena, da UFBa, em um grande jornal da capital.
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Durante o segundo semestre de 2002 solicitamos que, em equipe, os discentes analisassem várias cidades no Interland do estado e por melo de relatório - com mapas e tabelas de pontuação apontassem qual a cidade que poderia oferecer: conforto, água tratada, esgoto, telecomunicações, energia elétrica, presença multisetorial e vias de acesso multimodals. Após isto feito as equipes apresentaram seus resultados e sobre uma modalidade de pontuação previamente divulgada ESCOLHEU-SE AQUELA CIDADE QUE NO MOMENTO ACHAMOS MAIS ADEQUADA.
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O trabalho serviu como avaliação da segunda unidade da disciplina de Infra-estrutura.
aaaaNa época também visitamos Castro Alves, cidade que serviu como campo de teste para a nossa tabela de pontuação. Depois da visita foram feitos ajustes em nossos questionários e finalmente a escolha recaiu sobre a sede municipal de Itaberaba.
aaaaA equipe que bem defendeu a escolha desta cidade era formada pelos alunos.
xxx- Sylvio Mattos, Líndímar Fernandes, Roberto Ferreira, Raimundo Espinheira, Rosa Garrido, Gerson Júnior e Wagner Carvalhal
aaaaE eis alguns de seus argumentos:
aaaa- Diante da necessidade constante de desenvolvimento sustentável das cidades e regiões e Estado, é crescente o desejo de descentralização dos pólos industriais e comerciais não só na Bahia como no Brasil.
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De frente a semelhança, não só no desenho geográfico, como também na distribuição econômica entre estes, não seria nenhum absurdo a criação de uma cidade central na Bahia, assim como Brasília significa geograficamente um centro para o Brasil.
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Através deste argumento o Dr. Armando Avena ( ... ) defende em um dos seus artigos, que dispôs sobre o assunto, o desenvolvimente de uma cidade estrategicamente localizada para suprir esta lacuna no interior do Estado.
aaaaEsta cidade não seria preparada, no entanto, para ser um centro politico mas sim um centro económico. e de desenvolvlmento para todo o Estado da Bahia.
aaaaEstaria lecalizada no centro do poligono formado entre as cidades de Barreiras, Juazeiro, Vitória da Conquista, Teixeira de Freitas e Feira de Santana. Esta cidade serviria como centro gerader de dinamismo. para o desenvolvimento, integrando-a com os demais pólos de crescimento econômico de estado da Bahia.
aaaaDepois de uma pesquisa que levou um considerável tempo principalmente pela escassez de munlcípios providos de um minimo de infra-estrutura significante para atender todos os pré-requisitos (.. ) conseguimos estabelecer pontos de equivalência entre a cidade de ITABERABA e este possível centro de infra-estrutura, econômica, financeira e de desenvolvimento para todo o Estado da Bahia.
aaaaA cidade de ITABERABA fica a 266 quilômetros de Salvador, a 109 km de Feira de Santana, a 438 km de Juazeiro, a 349 km de Vitória da Conquista, a 720 km de Teixeira de Freitas e a 590 km de Barreiras.
aaaaPossul um entroncamento rodoviário bem distribuído, pois é possível ter tanto acesso para o norte e sul do Estado como também para o leste e oeste baiano. Este ponto é de fundamental importância pois, possibilitaria uma grande viabilidade de escoamento da produção da região para os outros pontos de quadrilátero, come também receber as produções das outras regiões a dlstrlbuir.
aaaaÉ claro. que a infra-estrutura a nível rodoviário teria que passar por um processo de ampliação e melhoria mas já seria um grande começo para este projeto que tem um prazo médio para sua realização e viabilização.
aaaaA cidade de Itaberaba fica próxima das duas maiores bacias hidrográficas da Bahia, a do São Francisco. a 381 km . e do Paraguaçu a 30 km ( ... )
aaaaA Ferrovia Centro-Atlântico S.A. opera a malha centro-leste da rede ferreviárla federal e poderia certamente suprir as necessidades no tocante ao transporte ferroviário pois passa próxima a cidade, a 30 km.
aaaaO munlcipio possui um aeroporto com pista pavimentada e com capacidade para aeronave de pequeno porte e já dispõe de 229 indústrias, destacando-se como um dos mais importantes pólos moveleiros do nordeste.
aaaaPossui um sistema de abastecimento d'água que atende as demandas atuais dos munícipes, bem como de energia elétrica, uma rede de esgoto (...o) aaaaPossui um depósito de lixo, mas ainda se encontra aquém do ideal no tocante à preservação do meio ambiente.
aaaaNo que se refere a educação é possuidor de escolas desde o pré-infantil até o terceiro grau, este precisando aumentar as opções de cursos.
aaaaQuanto a comunicação, a cidade está servida tanto por telefone fixo como móvel, tem duas emissoras de rádio e um jornal de circulação quinzenal na região.
aaaaLocaliza-se também no município um centro de pesquisa agropecuário pertencente a EBDA.
aaaaTodos estes pontos aliados às condições apresentadas atualmente pela cidade, aos projetos em desenvolvimento e previstos no Plano Plurianual (2002-2005) e a elaboração de um Piano Diretor para os próximos 15 anos (...) certamente trariam um crescimento econõmico, não só para o municrplo, mas também para todo o Estado, proporcionado uma melhor distribuição de renda para a Bahia através do quadrilátero de desenvolvimento baiano."
aaaaDiante do exposto pelos alunos neste trabalho de campo, mantemos a esperança de que o professor Armando Avena - agora ocupando a Secretaria de Planejamento do Estado - não esmoreça em suas, de dotar o interland baiano de uma capital logística.

Coordenação do Professor Feliciano T. Monteiro

Com a Palavra: VIAS AMBIENTAIS Tribuna da Bahia, 05 de junho de 1996

Salvador merece também a sua via dominical de saúde. Afinal, não só de praia pode se viver.

aaaaPelo seu contingente populacional, Salvador já é comparável a cidades do porte de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.
aaaaBrasília há anos inaugurou seu eixo da saúde, nos domingos pela manhã a principal artéria da cidade, que corta as asas norte e sul, é vedada aos veículos automotores. Por ali um povo modemo e saudável retoma o espaço que é seu e nas superquadras há ofertas de todos os serviços.
aaaaNo Rio deJaneiro, uma cidade semelhante cultural e geograficamenle a Salvador, a praia não se constitui no único lazer para o carioca. O Aterro do Flamengo também é vedado aos veículos automotores permitindo a pedestres e ciclistas contatarem diretamente com os lazeres e prazeres daquela via ambiental. Mesmo São Paulo. acusada de ser o paraíso nacional da poluição. já vem adotando programas de fechamento de ruas.
aaaaSalvador merece também a sua via dominical de saúde. Afinal nem só
de praia pode se viver.
aaaaAs pistas exclusivas de coletivos das avenidas Bonocô e Vasco da Gama e uma das mãos da Av. Ogunjá poderão ser fechadas ao tráfego durante algumas manhãs, criandose assim um acesso ao Dique do Tororó - entre sete e treze horas de domingos e feriados.
aaaaA cidade ganhará com isto uma pista de cooper e ciclovia com cerca de cinco quilômetros. bem mais larga que as da Orla Marítima e do Parque de Pituaçu. E sem nenhum investimento - além da sinalizaç.ão e segurança pública, integraríamos bairros populosos ao Dique do Tororó.

aaaaNa Av. Beira Mar. na Ribeira. pode-se também fechar o trecho próximo ao Bogari. Ambas as intervenções. se contarem com o apoio da SESP. SMTU. SEMEA/Suave, Administrações Regionais, Organizações Não-govemamentais, imprensa e iniciativa privada, se realizadas entre os dias 02 e 09 de Junho servirão não só para divulgar a data mundial do meio-ambiente, 05 de junho como para educar a população conuelaç.ão à nuportância do plantio de 500 mil árvores, em execução, e da recuperação paisagística de logradouros e praças.
SEMEA com afinco, sem esquecer que tudo brota SUAVE.

Professor Fellciano T. Monteiro, Superintendente de Areas Verdes

Jubileu de Prata do Clube de Engenharia da Bahia. Tribuna da Bahia, 28.11.1994

A fundação do CEB, em 1969, não podia se dar longe dos acontecimentos que cercavam e envolviam os engenheiros daquela epoca.

xxxComo um presente grego,para "agraciar" os brasileiros a Rede Globo colocou no ar, em 69, o seu "Jornal Nacional", que até hoje continua fazendo "plim-plim" - do Oiapoque ao Chuí. Na Bahia, o corajoso jornal Tribuna da Bahia começou a circular.

xxxMuito são cáusticos com 69 e dizem que foi um ano confuso demais. Hoje, olhando de longe sem emoções, com senso crítico e preocupação histórica isenta, não podemos concordar com esta opinião. Na verdade, 69 foi um "ano laboratório" - muitos experimentaram, fizeram e conseguiram traduzir em gestos o que traziam em seus corações. Optaram por pagar para ver. Foi, sem dúvida, um ano cheio de vida e também de morte pois não há uma sem a outra.
xxxA fundação do Clube de Engenharia da Bahia - CEB - em 1969 não podia se dar longe dos acontecimentos que cercavam e envolviam os engenheiros daquela época. Hoje, ninguém tem dúvida de que durante todos os anos de arbítrio, o CEB funcionou um pouco como um palco onde todos estes atores (fantasmas} polêmicos de 1969 continuaram atuando. Pois o CEB foi, e é, um proliferador em pequena escala do pensamento de todos estes atores. O Clube continua opinando fortemente sobre vida e morte. Nosso Jubileu de Prata coincide também com os 25 anos do Museu Carlos Costa Pinto - o Museu de Prata da Bahia.

xxxA comunidade, quando tem uma dúvida sobre problemas de engenharia, fica no aguardo da opinião do CEB - as causas de urna catástrofe por exemplo - o CEB falou? Se o assunto é engenharia, esta falado.

xxxÉ bom lembrar que o CEB apoiou o impeachment de Collor. A direção do Clube fez isto para combater o "Tanatos". Mas no dia-a-dia somos defensores da vida - de "Eros", O Clube de Engenharia sempre foi um defensor radical do Centro Histórico. Quando quase todos mudaram-se e abandonaram nosso Centro, o CEB permaneceu onde está - e continua abrindo suas portas para reuniões populares de moradores do centro da cidade. Em todo Carnaval recriamos um WoodSlock de matar gringo de inveja. Mas nem tudo são rosas. A crise nacional da engenharia nos atingiu duramente e a arrecadaçao devido ao desemprego e subemprego dos profíssionais caiu bastante. Mas o CE8 sobrevive.

xxxÉ óbvio que o nosso futuro dependerá dos novos sócios - mais jovens. Eles deverão definir quais os"Fantamas " que nos nortearam.

xxxO CEB traz também em sua cultura o amor pelo debate - pelo conflito de idéais. Estes doces e reais antagonismos é que movem o mundo. O Clube só sobreviverá com a beleza do duelo das idéias, vinte c cinco anos se passaram e podemos dizer com orgulho que nesta casa nunca vigorou - ou vigorará - a "paz dos cemiterios". A você que é jovem e ignorava quase tudo isto, eu solicito que associe-se ao CEB. O nosso maior prazer será ouvir seus argumentos - para então polemizar. A final 69 já está longe e seus heróicos fantasmas vivem nas páginas da história, mas 96 meu jovem, vem aí. E, assim como em 69, novamente os números nove e seis estarão em desalinho - 1996 promete ser também um ano polêmico. Quem Viver Verá.

Feliciano Tavares Monteiro é vice-presidente do CEB

Energia mudará forças políticas e econômicas
Jornal do Commercio, RJ. 17.12.1990

por JANA DE PAULA

xxxA demanda mundial de energia tende a modificar o atual agrupamento das forças políticas e econômicas. No momento, as grandes potências se defrontam com a dupla necessidade de criar uma sobrevida para o modelo industrial baseado na energia do petróleo - para a qual especialistas prevêm vantagens econômicas por cerca de mais 25 anos - e, ao mesmo tempo, acelerar as pesquisas de fontes alternativas. principamente as originárias da energia solar. descentralizada e sem conseqüências negativas para o meio ambiente.
xxxNo centro deste processo de mudança da energia propulsora da economia mundial está o Golfo Pérsico. A região, nao apenas detém um terço das reservas de petróleo da Terra. mas também apresenta um dos maiores níveis de radiação solar. Ou seja, esta área do Oriente Médio concentra as fontes atual e futura de energia.
xxx"0 conflito entre o Iraque e os Estados Unidos não é uma guerra religiosa. A capa diplomática que o envolve não esconde o fato de que as grandes potências, a todo custo, tentam assegurar seus acessos às principais fontes de energia, numa espécie de pirataria energética". O alerta é do engenheiro eletricista, com pós-graduação em Administração de Recursos Ambientais, Feliciano Monteiro. hoje na divisão de Estudos e Planejamento da Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba).
xxxMonteiro concluiu um estudo sobre a reorganização da economia mundial a partir da questão energética e suas conseqüências sobre o Brasil. a ser divulgado em janeiro do ano que vem. Na visita que fez ao Rio. para colher material para sua pesquisa, ele falou ao JORNAL DO COMMERCIO.
xxxAlém de analisar a guerra no Golfo Pérsico sob o aspecto energético, o engenheiro destaca, a partir da mesma ótica, a questão da Amazônia. Esta região de florestas e rios representa hoje, da mesma forma que o Oriente Médio, uma reserva de energia que o mundo vai estar usando na seunda metade de ano 2000.
xxx"Uma reglao com muita madeira. água e incidência solar do porte da Amazônia é fonte fundamental de, pelo menos, quatro tipos de energia solar imediata: da madeira se produz álcool, carvão vegetal e gasogênio. Da água, o hidrogênio. Assim como o Golfo Pérsico. a Amazônia, se não tiver seus recursos bem administrados. pode se transformar num foco de tensão". adverte Monteiro.
xxxEsta fase de tensão no Golfo Pérsico ocorre geralmente no período de transição da hegemonia de uma energia para outra. quando é preciso assegurar o combustível em uso. enquanto não se conclui o processo de adoção de um novo. É a este processo que Monteiro chama de "pirataria energética", do qual o Golfo Pérsico, é, no momento, o alvo principal. E. acrescenta, pelo fato de esta região representar. também. um manancial de energia solar, a primeira da lista das substitutas do petróleo, a região tende a ser foco de conflitos os 100 primeiros anos do próximo milênio.
xxxMas. esta fase de transição pode gerar a continuidade dos atuais conflitos mundiais, ela, tende. também, a se assentar, segundo o engenheiro. num conceito mais democrático do uso da energia. graças à adoção de métodos descentralizados de energia. Ele lembra que uma das razões de a energia nuclear ser descartada como fonte principal de energia do mundo é o fato de ela ser extremamente concentrada e só poder ser manipulada por especialistas.
xxxA vantagem e a importância do petróleo é que se trata de uma energia de fácil acesso. Ou seja, "colocada numa bomba, a gasolina pode ser manuseada por qualquer pessoa. sem risco sério para o usuário. O mesmo não ocorre com a energia nuclear. Além disso, as usinas nucleares são extremamente impactantes sobre o meio ambiente, devido ao seu nível de radiação. e ninguém quer instalá-la em seu próprio quintal", lembra.

Professor Fellciano T. Monteiro, Eng. da Estudos e Planejamento da Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba).

Um jeito iberico de viver
Capitulo do livro "Sino do Meio" por Feliciano T. Monteiro

xxxAs descobertas da América e do Brasil se deram quando os ibéricos atingiram o seu apogeu cultural. Em janeiro de 1942 os espanhois expulsaram definitivamente os Arabes da península. Em outubro do mesmo ano Colombo descobriu a América. E oito anos após Cabral chegou ao Brasil. A longa convivência com os árabes não foi, porém, tão maléfica. Além de herdarem dos mouros os conhecimentos sobre navegação no Mediterrâneo, que muito lhes útil ns travessias do Atlântico, os ibéricos também assimilaram conceitos urbanos e de arquitctura, que trouxeram grande conforto e beleza para suas cidades.
xxxNo novo continente as cidades foram construídas à imagem e semeIhança das cidades luso-espanholas. Salvador não fugiu à regra. Construída por mão de obra africana ela sintetizou o que de melhor havia na época - projetos ibéricos , mestres-de-obra e artesãos muçulmanos.
xxxA alta localização da cidade entre a Baia de Todos os Santos e o mar aberto permitia a circulação dos ventos em ambos os sentidos da direção leste-oeste. Com ruas orientadas, em sua maioria, na direção norte-sul e com casarões que geralmente possuíam dois andares, era possível o deslocamento de pedestres, pelas ruas estreitas em plena sombra, tanto pela manhã quanto pela tarde. Nas horas próximas ao almoço todos se resguardavam à sombra das árvores ou no interior dos casarões. As grandes, e inúmeras, janelas e portas destas habitações propiciavam aos seus moradores boa ventilação e iluminação.
xxxMas nem tudo era paradisíaco na velha Salvador. A divisão da sociedade em escravos e proprietários implicava na exislência de senzalas nos pátios ou de verdadeiras prisões nos porões das casas. Os verdadeiros Construtores do maior conjunto barroco das Américas viviam, paradoxalmente, em espaços exíguos e insalubres. Essa disfunção entre quem constroi e quem usufrui o espaço urbano foi o motor de grandes revoltas escravas nos séculos XVIII e XIX.
xxxNa independência da Bahia, em 1823, muitos acreditavam que junto ao desligamento ofícial de Portugal inagurasse um novo período, abolindo a escravidão. Mas não foi assim.
xxxA justa raiva acumulada pelos oprimidos com esta inconclusa independência deve ter sido o principal combustível de que se utilizaram os líderes malês para deflagrar a sua sufocada revolta em 1835. Seus líderes· principais foram condenados a morte e os demais participantes, deportados de volta para a África. Neste contigente deve ter seguido a maioria dos nossos artífices muçulmanos, construtores de nosso Centro Histórico. Sofremos com isto um sério golpe no jeito de nos urbanizar.
xxxFinalmente, em 1888, o Império aceitou a abolição, graças à crise do método de produção e às pressões industriais mundiais. Ao novo cidadão da república foi concedido o favor de ocupar àreas afastadas e não privadas temporariamente. Mas a qualquer momento sua morarlia poderia ser derrubada e o solo devolvido aos grandes proprietários.
xxxO grande êxodo para locais "longe do poder", onde sucessivas secas castigavam estes filhos desprezados, os alomerou em torno de profetas e de cruzadas messiânicas.Isto propiciou o nascimento fo fenômeno "Anlônio Conselheiro" e de uma nova modalidade de urbanização. A construção do Arraial de Canudlos, graças ao carisma do beato, fez afluir para aquela cidade milhares de pessoas. O crescimento foi espantoso. O Canudos era a Feira de Santana da época e a segunda cidade da Bahia em número de habitantes.
xxxMas a cidade, em vez de ser estudada, dissecada e analisada como um fenômeno social, foi destruida pelo preconceito. No entanto, a submersão da vila, sob as águas doaçude Cocorobó, não acabou com aquele estilo de morar. Pelo contrário, a dipersão de seus sobreviventees espalhou por nossas grandes cidades a estética urbana de Canudos - que hoje ocupa mais de dois terços de Salvador.
xxxMas o passado é passado. Nos temos que olhar para frente. Será que não existe um caminho intermediário enlre a majestade urbana do Pelourinho e adjacências e a precariedade "favelada" do nossos bairros pobres? Se existe, só uma engenharia voltada para o social, poderá encontrá-lo - uma engenharia comprometida com a maioria da população.
xxxO tempo urge. São necessários incentivos privados e governamentais, pesquisa científica e modificações radicais nos curriculae de engenharia e arquitetura. Só assim adaptaremos nossas habitações ao nosso clima e aos nossos recursos. A qualidade de vida, condigna com a cidadania republicana, só poderá surgir quando a cidade for de todos.
xxxEm seus passeios, os novos frequentadores do Centro Histórico devem se preocupar com as demais reformas republicanas. Distribuir à população carente, títulos de lotes urbanos é uma delas. A outra é viabilizar a velha e adiada - mas nem por isto desnecessária - reforma agrária.
xxxSem fixarmos definitivamente nossos habitantes, nas cidades e nos campos, será muito difícil consolidarmos um patamar urbano de convivência que mantenha os padrões conseguidos pelos nossos ancentrais ibéricos.